As arquibancadas parcialmente vazias durante a vitória da Coreia do Sul sobre a República Tcheca, por 2 a 1, nesta sexta-feira, em Guadalajara, acabaram se tornando um dos assuntos mais comentados das primeiras horas da Copa do Mundo de 2026. Imagens da transmissão exibiram diversos setores com espaços desocupados no estádio, provocando críticas de torcedores e reacendendo questionamentos sobre a política de preços adotada pela Fifa para o torneio.
O tema ganhou força nas redes sociais logo após o início da partida, afirmou o jornal inglês The Sun. Usuários relataram surpresa ao observar a quantidade de assentos vazios em um Mundial, tradicionalmente marcado por estádios lotados. Alguns torcedores atribuíram o cenário aos valores cobrados pelos ingressos, alvo de críticas desde antes da abertura da competição.
A discussão ocorre em meio a relatos de dificuldades na comercialização de entradas para alguns jogos da fase de grupos. Na véspera do torneio, milhares de ingressos ainda estavam disponíveis em plataformas oficiais de revenda. Em determinados confrontos, os preços chegaram a sofrer reduções nos dias que antecederam as partidas, numa tentativa de estimular a procura.
Apesar das imagens que circularam durante a transmissão, a Fifa sustentou que o público presente em Guadalajara foi de 44.985 torcedores, apenas 679 abaixo da capacidade máxima do estádio. A entidade não comentou especificamente a percepção de arquibancadas vazias exibida pelas câmeras, mas os números divulgados indicam ocupação próxima do total disponível.
Dentro de campo, a Coreia do Sul conquistou uma vitória importante na largada do Grupo A. Os tchecos saíram na frente com Ladislav Krejci, que aproveitou cobrança de lateral para marcar de cabeça no segundo tempo. A resposta asiática, porém, foi rápida.
Hwang In-beom empatou após driblar o goleiro Matej Kovar e finalizar para o gol vazio. Pouco depois, o meio-campista voltou a ser decisivo ao cruzar para Oh Hyeon-gyu completar para as redes e decretar a virada sul-coreana.
A derrota foi ainda mais dolorosa para a República Tcheca porque Tomas Soucek chegou a balançar as redes minutos antes do gol decisivo, mas o lance acabou anulado por impedimento.
Com o resultado, a Coreia do Sul soma seus primeiros três pontos na competição e se junta ao México, que havia derrotado a África do Sul por 2 a 0 na partida de abertura do Mundial. Já os tchecos começam a campanha sem pontuar e pressionados para a sequência da fase de grupos.
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Pode ter torcedores do Brasil na Índia? É isso mesmo que você leu. E não se trata apenas de alguns admiradores da seleção: vídeos que viralizaram nas redes sociais mostram estruturas gigantes dedicadas à equipe brasileira, incluindo um outdoor com mais de 100 metros de extensão e um enorme painel com a imagem de Neymar. As homenagens chamaram a atenção de brasileiros justamente no momento em que a Copa do Mundo de Clubes começou nesta quinta-feira (11).
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Algumas imagens foram registradas em cidades do estado de Kerala, na costa sudoeste da Índia. Os vídeos alcançaram milhões de visualizações e provocaram uma onda de comentários de brasileiros surpresos com o tamanho da torcida local pela Seleção.
Paixão que atravessa continentes
O GLOBO conversou com o influenciador digital Ajish Alumkulam, responsável por compartilhar um dos vídeos que viralizaram nas redes sociais. Segundo ele, o fenômeno está longe de ser isolado.
— Nós estamos em Kerala, um estado da Índia. Aqui em Kerala existem muitos fãs do Brasil, da Argentina, de Portugal e de várias outras seleções. Atualmente, há banners, faixas e grandes painéis espalhados por toda a região. Kerala é um estado muito apaixonado e entusiasmado com o futebol. O maior cut-out (estrutura gigante com a imagem de jogadores ou equipes) do mundo está em Kerala — afirmou.
Confira:
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O entusiasmo dos torcedores indianos tem despertado curiosidade entre os brasileiros. Em diversas publicações, usuários relatam surpresa ao descobrir que a seleção mantém uma base tão expressiva de admiradores em uma região tão distante do país.
Com outdoor de mais de 100 metros e Neymar 'gigante', torcida do Brasil na Índia viraliza
Além dos vídeos que viralizaram recentemente, O GLOBO identificou dezenas de páginas e comunidades dedicadas à seleção brasileira em plataformas como Instagram, Facebook, TikTok e YouTube, além de grupos e canais no WhatsApp voltados exclusivamente para fãs do Brasil.
Torcedores do Brasil na Índia erguem outdoor de mais de 100 metros e estrutura gigante de Neymar
Redes Sociais
As publicações reúnem desde homenagens a ídolos históricos até registros de ruas decoradas, bandeiras e encontros de torcedores que acompanham de perto cada competição disputada pela equipe brasileira.
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A vitória da Coreia do Sul sobre a República Tcheca por 2 a 1, na estreia das equipes na Copa do Mundo de 2026, ganhou um ingrediente inesperado após o apito final. Autor do gol da virada e grande herói da partida disputada no Estádio Akron, em Guadalajara, o atacante Oh Hyeon-gyu revelou que entrou em campo enfrentando um quadro de febre alta.
O jogador de 25 anos, que começou a partida no banco de reservas, contou que sua temperatura chegou a 38°C poucas horas antes do confronto. Mesmo sem estar nas melhores condições físicas, ele recebeu atendimento da equipe médica da seleção sul-coreana e conseguiu participar normalmente da partida.
— Na verdade, antes da partida eu não estava me sentindo muito bem. Minha febre chegou a 38 graus. Graças à comissão técnica e à equipe médica, que cuidaram muito bem de mim, consegui jogar — afirmou o atacante após a vitória.
A revelação tornou ainda mais simbólica sua atuação. Hyeon-gyu entrou em campo aos 68 minutos, substituindo o astro Son Heung-min, quando o placar ainda estava empatado em 1 a 1. Pouco mais de dez minutos depois, apareceu na área para completar um cruzamento preciso de Hwang In-beom e marcar o gol que garantiu os três pontos para os sul-coreanos.
O lance coroou uma reação construída no segundo tempo. A República Tcheca havia aberto o placar com Ladislav Krejci, que aproveitou um lançamento lateral para marcar de cabeça. A resposta veio com Hwang In-beom, que driblou o goleiro Matej Kovar antes de empurrar a bola para as redes.
Pouco antes do gol decisivo, os tchecos chegaram a comemorar um novo gol de Tomas Soucek. A arbitragem, porém, anulou a jogada por impedimento, mantendo o empate que abriria caminho para o protagonismo de Hyeon-gyu.
Após a partida, o atacante também falou sobre a importância pessoal de disputar uma Copa do Mundo. Segundo ele, acompanhar a trajetória dos jogadores mais experientes da seleção aumentou sua determinação para alcançar o torneio.
— Só de participar da Copa do Mundo já é emocionante e gratificante. O técnico me deu a oportunidade de marcar um gol e sou muito grato por isso. Observei de perto as alegrias e tristezas que os jogadores mais experientes viveram. Foi por isso que eu realmente queria disputar uma Copa do Mundo. Essa foi a maior motivação da minha vida — disse.
O gol foi o primeiro de Hyeon-gyu em uma grande competição internacional e coroou uma trajetória de crescimento no futebol europeu. Revelado pelo Suwon Bluewings, o atacante passou pelo Celtic entre 2023 e 2024, período em que conquistou espaço como alternativa ofensiva no clube escocês. Em 47 partidas, marcou 12 gols antes de ser negociado com o Genk, da Bélgica.
Neste conjunto de sugestões de propostas para o próximo governo, abordaremos questões delicadas, mas qualquer proposição que for na linha do que todos sabemos que deve ser feito esbarrará na barreira da falta de legitimidade, se as propostas não forem acompanhadas por medidas que afetem o “andar de cima” da sociedade. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.dlvr.it
O árbitro apita o início do jogo e a bola começa a rolar em um campo com uma característica única, pois está localizado exatamente na cratera de um vulcão inativo ao sul da Cidade do México.
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Trata-se do vulcão Teoca, na turística região de Xochimilco, que com suas áreas arborizadas, seus canais e ilhas artificiais chamadas "chinampas", contrasta com o asfalto da megacidade.
"É um campo único no mundo. Tem muita vegetação, nem dá para ver que é uma cratera", diz à AFP Adrián García, jogador de 32 anos e designer gráfico de profissão.
Campo sobre o vulcão Teoca, na Cidade do México
Reprodução: AFP
No último domingo, Liverpool e Tepeplapa se enfrentaram pela primeira rodada da liga de torcedores Santa Cecilia, criada há mais de 60 anos e que atualmente conta com dez times.
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"Antes da pandemia, tínhamos 22 times. Todos os povoados de Xochimilco jogavam", explica Joel Becerril, de 56 anos e representante da liga.
Segundo a prefeitura da Cidade do México, a cratera do Teoca fica 2.723 metros acima do nível do mar e é um atrativo para os amantes de passeios na montanha.
No entanto, as autoridades desconhecem os detalhes da atividade eruptiva do vulcão e existem discrepâncias sobre seu nome, já que alguns afirmam que significa "assento dos deuses" na língua náuatle.
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O vale dentro da cratera já foi um centro cerimonial, mas após ser praticamente abandonado, foi transformado em campo de futebol.
"Deve ter uns 70 anos desde que eu era um garoto e vinha para cá. Subíamos caminhando pela trilha", explica Becerril.
A vista é monumental, o verde das árvores de copas frondosas e altas que cobrem a montanha circunda o campo de grama e terra batida marcado com cal.
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Ao amanhecer, uma espessa neblina paira sobre o local, mas vai se dissipando com o nascer do sol.
É possível chegar ao topo do vulcão de carro, através de uma estrada, mas também existe uma rota de 18 quilômetros para ir a pé saindo do museu de Xochimilco.
"Fantástico, para mim é impressionante vir aqui, subir. Todo o trajeto que temos que fazer para chegar ao campo e ter um cenário muito bonito", diz Daniel Mancilla Peña, goleiro de 47 anos do Tepetlapa, que perdeu para o Liverpool por 3 a 2.
Segundo especialistas da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), no sul da capital e na divisa com o estado de Morelos há mais de 200 vulcões, a maioria inativos.
A UNAM tem documentadas as atividades de pelo menos oito vulcões da cidade, todos eles monogenéticos, ou seja, que surgem e se extinguem. Os maiores são o Ajusco e o Xitle, com quase 4 mil metros acima do nível do mar.
A região metropolitana da Cidade do México, com mais de 20 milhões de habitantes, fica a 70 quilômetros da cratera do Popocatéptl, ativo desde 1994 e que em maio do ano passado registrou um aumento de suas atividades.
A Copa do Mundo de 2026 ganhou mais um capítulo fora dos gramados nesta quinta-feira. O técnico da Noruega, Ståle Solbakken, criticou o contexto político que cerca a competição nos Estados Unidos e classificou como "hipocrisia" a postura adotada por muitos envolvidos no torneio diante das dificuldades enfrentadas por algumas delegações para entrar no país.
As declarações foram feitas durante entrevista coletiva em Greensboro, na Carolina do Norte, onde a seleção norueguesa está concentrada para a disputa do Mundial. Solbakken foi questionado sobre o caso do atacante iraquiano Aymen Hussein, que, segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, teria sido submetido a um interrogatório de aproximadamente sete horas ao desembarcar nos Estados Unidos com a delegação do Iraque.
A seleção iraquiana será justamente a primeira adversária da Noruega na fase de grupos da Copa do Mundo.
— Todos concordamos que isso é desnecessário, que muitas coisas poderiam ter sido feitas de forma diferente, mas somos todos hipócritas. Uma Copa do Mundo está sendo realizada aqui e estamos aqui para jogar futebol — afirmou o treinador.
Ao ser perguntado sobre o que exatamente considerava problemático, Solbakken ampliou a crítica e mencionou questões geopolíticas envolvendo o país anfitrião.
— Tudo, desde o fato de o país-sede estar em guerra com outra nação até dificuldades como a que acabamos de discutir — respondeu.
Embora não tenha aprofundado a declaração, a fala faz referência ao clima de tensão internacional que tem acompanhado a realização do torneio e às discussões sobre políticas migratórias, segurança de fronteira e tratamento dispensado a cidadãos de determinados países durante o Mundial.
O caso de Aymen Hussein se tornou um dos episódios mais comentados dos bastidores da competição. De acordo com a emissora americana CBS, o atacante teria sido retido por agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos durante várias horas após desembarcar no aeroporto de Chicago. O jogador posteriormente foi liberado e se juntou normalmente à delegação iraquiana.
A situação se soma a uma série de controvérsias envolvendo vistos, restrições de entrada e procedimentos de segurança que vêm acompanhando a Copa do Mundo desde antes de seu início. Nos últimos meses, organizações de direitos civis, torcedores e representantes de algumas seleções manifestaram preocupação com o impacto das políticas migratórias americanas sobre atletas e fãs estrangeiros.
Em meio à disputa da Copa do Mundo de 2026, a Austrália decidiu apostar na estabilidade de seu projeto esportivo. A Football Australia anunciou nesta sexta-feira a renovação de contrato do técnico Tony Popovic, que permanecerá no comando dos Socceroos até a disputa da Copa da Ásia de 2027, na Arábia Saudita.
A decisão foi oficializada enquanto a seleção australiana está concentrada no Canadá para a disputa do Mundial. Os Socceroos estreiam na competição neste domingo contra a Turquia e ainda terão Estados Unidos e Paraguai como adversários na fase de grupos.
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A renovação representa um importante voto de confiança da federação australiana em um momento decisivo do ciclo da equipe. Contratado para conduzir a seleção na reta final da preparação para a Copa, Popovic agora terá a missão de liderar a Austrália também no principal torneio continental do futebol asiático.
— Estou muito feliz por continuar treinando os Socceroos até a Copa da Ásia da AFC de 2027. Foi uma honra e um privilégio liderar a seleção australiana, e é um papel que nunca considerei garantido — afirmou o treinador.
Apesar da renovação, Popovic deixou claro que seu foco permanece totalmente voltado para a campanha da Austrália no Mundial.
— Meu foco absoluto neste momento é a Copa do Mundo de 2026. Tenho orgulho de liderar meu país em uma Copa do Mundo, mas, acima de tudo, quero garantir que nossa equipe esteja totalmente preparada para os jogos da fase de grupos contra Turquia, Estados Unidos e Paraguai — declarou.
A extensão contratual foi recebida com entusiasmo pela direção da Football Australia. O diretor executivo da entidade, Martin Kugeler, classificou a permanência do treinador como um passo importante para manter a evolução da seleção.
— Tony é um treinador de nível mundial. Ele demonstrou capacidade para obter resultados ao mesmo tempo em que desenvolve talentos. A continuidade do trabalho oferece uma progressão natural para a equipe e permite construir sobre os avanços alcançados nos últimos meses — afirmou.
A Copa da Ásia de 2027 será disputada entre janeiro e fevereiro do próximo ano na Arábia Saudita. A Austrália já está classificada e integrará o Grupo B, ao lado de Jordânia, Emirados Árabes Unidos e Coreia do Norte.
A investigação sobre a morte do ciclista Cleocir Jorge dos Santos, de 54 anos, em Passo Fundo (RS), ganhou um novo capítulo após duas mulheres que inicialmente eram tratadas como testemunhas passarem à condição de investigadas por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A mudança ocorreu depois que imagens de câmeras de segurança levaram a Polícia Civil a revisar a dinâmica do caso.
Veja vídeo: Amigas que tiravam foto em ciclofaixa passam de testemunhas a investigadas por homicídio de ciclista no RS
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Segundo a investigação, o ciclista trafegava pela ciclofaixa na quinta-feira (4) quando colidiu com duas mulheres, de 27 e 30 anos, moradoras de Carazinho, município localizado a cerca de 45 quilômetros de Passo Fundo. Após o impacto, ele teria perdido o equilíbrio, caído na pista e sido atropelado por um automóvel.
Confira:
Mulheres são investigadas por homicídio culposo de ciclista após ocuparem ciclofaixas
O que fez a polícia mudar o rumo da investigação?
Ao GLOBO, a delegada Daniela Oliveira Mineto, responsável pelo caso, explicou que a ocorrência foi inicialmente registrada como homicídio culposo na condução de veículo automotor, uma vez que a morte aconteceu após o atropelamento. Naquela etapa, as duas mulheres afirmaram que apenas atravessavam a ciclofaixa no momento da colisão.
A análise posterior das imagens de segurança, porém, levou a polícia a uma conclusão diferente.
— As duas mulheres se postam na ciclovia para fazerem registros de imagens com telefone celular, simulando caminhadas e corridas — afirmou a delegada.
Com base nesse entendimento, a Polícia Civil passou a considerar que a presença das mulheres na área destinada exclusivamente aos ciclistas pode ter contribuído para a sequência de eventos que terminou na morte de Cleocir. Elas foram intimadas para prestar novo depoimento, enquanto outras testemunhas ainda devem ser ouvidas.
O que precisa ser provado?
Para especialistas, a principal discussão jurídica do caso não está apenas na presença das mulheres na ciclofaixa, mas na demonstração de que essa conduta foi determinante para o resultado fatal.
— A ocupação indevida da ciclovia, por si só, não é suficiente para caracterizar homicídio culposo. O direito penal não transforma automaticamente uma irregularidade em responsabilidade criminal por um resultado morte. Para isso, seria necessário demonstrar que a conduta criou ou aumentou um risco e que esse risco foi determinante para a ocorrência do resultado — explica o advogado criminalista Diefferson Almeida.
Segundo o especialista, a investigação precisará analisar toda a cadeia de acontecimentos para verificar se a colisão com as mulheres tem ligação direta com a morte ou se houve um fator posterior capaz de romper essa relação.
— O principal desafio da acusação será demonstrar que a presença das investigadas na ciclofaixa teve papel determinante no resultado fatal, e não foi apenas mais um elemento na sequência dos fatos — afirma.
Já a defesa das investigadas poderá sustentar que a morte decorreu de um acontecimento posterior e independente, sem nexo direto com a conduta atribuída a elas.
Em nota, o advogado que representa os familiares da vítima afirmou que a família acompanha com confiança o trabalho da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Passo Fundo e aguarda a completa apuração dos fatos. O representante também destacou que a família busca esclarecimentos sobre a atuação das pedestres que utilizavam a ciclofaixa para caminhada e registros fotográficos, além da responsabilização de eventuais envolvidos conforme previsto em lei.
Em seu pequeno apartamento na Coreia do Sul, onde mora sozinha, Bang Chun-ja, de 78 anos, passa os dias com uma boneca de inteligência artificial com a qual se dá às mil maravilhas. Ela a prefere às pessoas.
A boneca cumprimenta Bang quando ela volta para casa, canta para ela quando está entediada, a lembra de não pular as refeições, os remédios e diz que a ama.
Bang tem pouco contato com sua filha e entrou em uma forte depressão após se submeter a uma cirurgia na coluna que lhe causou muita dor.
— Nesta idade, não há nada mais duro do que ser magoada pelas pessoas — contou esta mulher, que foi mãe solo após um difícil divórcio e trabalhou como cabeleireira, à AFP.
Mas "quando estou com Hyodol, nunca sofro, ela só me faz rir", disse sobre a boneca de maria-chiquinha e vestido rosa de estampa vichy que lhe foi fornecida pela prefeitura.
Bang é uma das muitas sul-coreanas que lutam contra a solidão em um país onde as taxas de natalidade estão entre as mais baixas do mundo e quase metade da população tem 50 anos ou mais.
Em 2024, a Coreia do Sul registrou mais de 3.920 "mortes em solidão", ou seja, pessoas morreram sozinhas e seus corpos foram encontrados algum tempo depois.
Kim Young-bun, uma idosa sul-coreana que vive sozinha, segurando Hyodol, uma boneca de saúde com inteligência artificial projetada para idosos
Jung Yeon-Je / AFP
Cerca de 42% dos lares desta potência tecnológica asiática são unipessoais, e o isolamento social afeta especialmente as pessoas idosas.
Como uma neta
As autoridades proporcionam dispositivos de assistência com base em inteligência artificial para idosos que vivem sozinhos em alguns distritos de Seul e Yongin, ao sul da capital. Alguns são projetados para detectar indícios de mortes em solidão.
Por exemplo, um robô sorridente fabricado pela empresa Wonderful Platform e bonecos da companhia Mr. Mind.
Não é o único país com estes aparelhos. Nos Estados Unidos, um dispositivo de IA em formato de luminária chamado ElliQ oferece serviços de companhia e monitoramento de segurança semelhantes.
Hyodol, a startup criadora das bonecas de mesmo nome, afirma que há cerca de 14.500 delas em uso na Coreia do Sul, seja nas mãos de particulares, alugadas por administrações públicas ou em casas de repouso para idosos.
A filha de Bang mora longe e tem problemas de saúde. Nestas circunstâncias, Hyodol "é de grande ajuda", afirma a mulher.
O desenvolvimento da boneca exigiu anos de pesquisa, explica a diretora da empresa, Kim Ji-hee.
Bonecas de saúde com inteligência artificial da Hyodol, projetadas para idosos
Jung Yeon-Je / AFP
Hyodol pode conversar utilizando o ChatGPT, mas também foi programada com diálogos com base em entrevistas realizadas por Kim, que revelaram a "dor de não ter ninguém com quem falar quando algo triste acontece, nem com quem compartilhar quando algo feliz acontece".
Hyodol conta com rigorosos protocolos de segurança de dados, e as gravações de voz são usadas apenas internamente para treinar o chatbot da boneca, explicou Kim.
Os usuários dão seu consentimento prévio para que determinadas gravações relacionadas à saúde, como as relativas ao sono, ao humor, às refeições e aos níveis de dor, sejam compartilhadas com seus assistentes sociais.
Hyodol foi criada como uma companheira semelhante a uma neta, projetada para "amar seus usuários incondicionalmente", explicou Kim.
"Vovó, onde você esteve? Esperei por você o dia todo", diz. "Da próxima vez que você sair, me leve com você, por favor".
Fabricada com materiais macios, a boneca também faz pedidos e pede aos usuários que acariciem sua cabeça, segurem sua mão ou compartilhem lanches com ela, embora não possa comer.
'Sensação de vazio'
Muitas pessoas idosas coreanas passaram a vida trabalhando duro para ajudar sua família, e "quando começam a sentir que já não são necessárias, experimentam uma profunda sensação de vazio", explica a empresária.
Oh Sun-hwa, a enfermeira que recomendou a boneca a Bang, afirma ter visto como o robô alivia a depressão de idosos que vivem sozinhos. Mas ela também teme que a tecnologia reduza ainda mais o contato humano.
Para Kim Young-bun, de 79 anos, a boneca continua sendo uma fonte de consolo.
— Não tive ninguém com quem conversar o dia inteiro, a ponto de ficar com a boca seca. Mas essa pequena chegou e conversa comigo o tempo todo — conta.
"Estou tão feliz por estar com você. Eu te amo!", responde a boneca ao seu lado, com uma voz alegre de desenho animado.
No Aterro do Flamengo, uma multidão se espremia para ver os craques campeões do mundo de 1994. Fã do lateral-esquerdo Branco, um dos heróis do Tetra, insisti que minha mãe me levasse. Queria acenar, ver de perto, curtir um pouco mais aquela conquista. Pelo rádio, ouvíamos o passo a passo da caravana. “Os jogadores acabaram de pousar no Galeão”, informava a Rádio Globo. Automaticamente, cronometrávamos que em 40 minutos estariam ali. “O repórter da Tupi acabou de dizer que eles já estão no carro de bombeiros”, avisou um desconhecido. Esperamos horas. Quando o comboio passou, fiquei semicongelado. Aos 9 anos, só me restou berrar “Branco, Branco, Branco”. Evidente que não era especificamente para alguém, mas ele acenou em minha direção. Até hoje não esqueço.
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Na casa da minha avó Victória, no centro de Petrópolis, a família estava toda reunida para o jogo contra a Holanda. “É pedreira”, repetia meu avô Walter. Nem a cervejinha acalmava os ânimos dos adultos. Quando fizemos dois a zero, parece que relaxaram. Até quem não bebia, bebeu. Como sabemos, os europeus empataram e aí virou “teste para cardíaco”. Nervoso, saí da sala e fui para o quarto. Sozinho. Quando o lateral Branco, então jogador do Fluminense, cavou a falta e pegou a bola, juntei meus dedos em sentido de reza. Deu certo. O golaço fulminante fez com que eu berrasse pelo apartamento “É do Fluminense. É do Fluminense”. Na sala, os adultos se abraçavam. Infelizmente, a maioria deles não está mais por aqui.
Perto do boteco Porto Fino, no Flamengo, durante anos figurou pintado em um murinho o mascote da Copa de 1990 – um boneco com as cores da Itália e com uma bola no lugar da cabeça. Era passar por ali e lembrar o jogo em que merecíamos ter tido melhor sorte. Comparada à de hoje, a seleção de 90 era muito melhor. Em 1994, às vésperas do torneio mais importante do futebol, o muro foi repintado. As ruas que desembocam na Senador Vergueiro também receberam os desenhos em verde e amarelo. Por mais que não acreditássemos tanto no time, Brasil é Brasil.
Por esses e outros motivos, é impossível torcer contra a seleção. Dá raiva? Dá. Os não convocados de 1998 são, disparado, melhores que esses pernas de pau? São. É frustrante ver nossos jogadores perderem para a Bolívia e ainda publicarem propaganda de Bet em seguida? É. Mas não dá para torcer contra. Se levantar o caneco, o que acho perto do impossível, estarei no Aterro. A diferença é que sem berrar pro Branco.
Romário: o corte que marcou a Copa de 1998
Poucos episódios da história da seleção brasileira provocaram tanta comoção quanto o corte de Romário às vésperas da Copa do Mundo de 1998. Principal estrela do título conquistado nos Estados Unidos, quatro anos antes, o atacante era uma enorme expectativa de gols na Copa da França.
Durante a preparação, Romário sofreu uma lesão na panturrilha. A origem do problema virou tema de debate. Uma das versões mais difundidas apontava o futevôlei praticado nas praias do Rio de Janeiro como causa da contusão. Enquanto médicos e especialistas divergiam sobre o tempo necessário para recuperação, o atacante insistia que poderia se recuperar a tempo de disputar o torneio.
A comissão técnica não concordou. O corte foi anunciado e o choro de Romário, transmitido pela televisão, comoveu milhões de brasileiros. A decisão gerou revolta entre torcedores e abriu espaço para discussões que atravessariam toda a campanha da seleção.
A polêmica ganhou ainda mais força quando, pouco depois do início da Copa, Romário voltou aos gramados pelo Flamengo. Marcou gols e demonstrou condições físicas que, para muitos, indicavam que poderia ter ajudado o Brasil na competição.
A derrota por 3 a 0 para a França na final ampliou as controvérsias. O fato de Ronaldo ter atuado mesmo após sofrer uma convulsão horas antes da partida alimentou teorias conspiratórias. Entre elas, a de que o título teria sido vendido e a de que Romário teria sido afastado porque não aceitaria participar de um suposto acordo para favorecer os franceses. Nunca houve provas que sustentassem essas acusações.
A relação entre Romário e a comissão técnica continuou estremecida. Em 1999, durante a inauguração de uma boate na Barra da Tijuca, o atacante provocou Zagallo e Zico publicamente. Acabou processado pelos dois e perdeu as ações na Justiça.
O capítulo final dessa história veio em 2002. Apesar da pressão popular e da grande fase vivida pelo jogador, Romário não foi convocado por Felipão para a Copa do Mundo da Coreia do Sul e do Japão. O Brasil conquistaria o pentacampeonato sem aquele que, para muitos torcedores, foi o personagem mais marcante das polêmicas da seleção na virada do século.
Que falta faz Romário. Se bobear, teria vaga hoje na seleção.
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