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Uma calma tensa tomou conta do Oriente Médio nesta sexta-feira, após dias de ataques trocados por EUA e Irã, com o anúncio do presidente americano, Donald Trump, de que um acordo de paz entre os países está "praticamente em fase final" e pode ser assinado neste fim de semana — com algumas fontes revelando preparativos em curso para uma cerimônia de assinatura. Embora o porta-voz da diplomacia iraniana tenha afirmado nesta sexta que o país "não chegou a uma conclusão" a respeito do acordo, a imprensa estatal do país noticiou que entre os termos em discussão estariam a manutenção da capacidade de enriquecimento de urânio, o controle iraniano sobre Ormuz, o fim da guerra de Israel no Líbano e o descongelamento de ativos financeiros do país no estrangeiro — todas demandas do regime sobre as quais os EUA exigiam concessões, e que dificilmente seriam aceitas sem controvérsia. Entenda o contexto: Trump cancela ataques contra o Irã e anuncia 'grande acordo' para pôr fim à guerra, sem a confirmação de Teerã Tensão entre aliados: Guerra contra o Irã estremece relação entre Trump e Netanyahu e expõe divergências entre EUA e Israel As declarações contraditórias encerraram um dia de grande tensão, com ameaça de ataque massivo contra a nação persa. Embora ambas as partes afirmem que os termos ainda estão em discussão — Trump, por exemplo, admitiu que a questão nuclear com o Irã ainda está sendo discutida do ponto de vista conceitual —, fontes citadas pela imprensa dos dois países delineiam sobre o rumo das negociações. Initial plugin text Uma fonte americana citada pela rede CNN afirmou à emissora que o acordo provisório estenderia o cessar-fogo entre os países e reabriria o Estreito de Ormuz, pavimentando o caminho para discussões posteriores sobre o programa nuclear iraniano. A agência de notícias iraniana Mehr noticiou nesta sexta-feira que o texto do acordo estabeleceria um prazo de 60 dias para negociação de um acordo nuclear que envolva o fim das sanções econômicas americanas ao país. Um esboço do suposto acordo em negociação referido pela agência iraniana cita a liberação de US$ 24 bilhões (cerca de R$ 122,4 bilhões no câmbio atual) em recursos congelados no exterior, além de uma garantia ao controle iraniano de Ormuz — uma condição que a Casa Branca e aliados na região rejeitaram publicamente ao longo da guerra. Em outras ocasiões, Trump afirmou que documentos apresentados pela mídia iraniana não correspondiam aos termos considerados por Washington. O futuro da rota naval é visto como um aspecto central, com a perturbação no mercado internacional de hidrocarbonetos tendo sido uma das maiores consequências do conflito, considerando a pressão sobre o presidente americano. A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico — agência criada pelo regime iraniano no intuito de supervisionar o tráfego de embarcações — anunciou na quinta que a via marítima ficaria completamente bloqueado até nova ordem, em meio aos embates com os EUA. O comando militar americano nega que a rota esteja fechada, e abateu dois drones iranianos que tentavam atacar navios comerciais no estreito, segundo um alto funcionário americano na noite de quinta-feira. EUA bombardeiam 3º petroleiro no Golfo em meio a troca de ataques com Irã Outro ponto que o Irã alega estar incluído no acordo é um fim total da ofensiva de Israel no Líbano, que o Estado judeu afirma mirar o Hezbollah, grupo aliado de Teerã como parte do "Eixo da Resistência". A demanda tem sido recorrente nas manifestações iranianas, e Trump já se apresentou como mediador para encerrar o conflito anteriormente, incentivando o diálogo entre os governos de Israel e Líbano — embora tenha culpado integralmente o grupo paramilitar pelo insucesso das negociações. A frente libanesa da guerra é um dos exemplos mais claros das divergências entre os aliados Israel e EUA. Militares do Estado judeu lançaram novos ataques contra o sul do Líbano na manhã desta sexta, apesar do andamento das negociações. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já disse ver a ação contra o Hezbollah como uma questão existencial para Israel e uma medida de "autodefesa", tendo defendido a legitimidade dos ataques em diálogo com Trump. Embora não esteja diretamente envolvido nas negociações, o premier conversou com o presidente americano na quinta-feira, segundo informações divulgadas pelo seu gabinete. O comunicado dizia que o líder israelense "expressou apreço" pelo compromisso de Trump de que um acordo final com o Irã estipulará a remoção do material nuclear iraniano, o desmantelamento da infraestrutura de enriquecimento de urânio, limites à produção de mísseis e a cessação do apoio iraniano a grupos armados na região — termos que não foram citados pelo esboço da imprensa iraniana. Apesar da falta de clareza nos termos, fontes americanas indicaram otimismo com o desfecho positivo das negociações. Funcionários do governo americano ouvidos por veículos como CNN, Axios e Bloomberg afirmaram que estão sendo feitos preparativos para uma cerimônia de assinatura de um memorando em Genebra, na Suíça. Não há confirmação por parte de Teerã. (Com NYT e AFP)
Calma tensa toma região do Golfo enquanto EUA falam em avanços com o Irã e fontes citam preparativos para assinatura de acordo
Jornal O Globo