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Notícia da @oglobo.globo.com "Ingressos a US$ 10 mil e passagens de trem a US$ 98: Copa de preços exorbitantes afasta torcedores dos estádios" Link sem paywall ⬇️
7h
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O gerente de produtos Caio Vieira, de 32 anos, alimentou por algumas edições o sonho de viajar para assistir à Copa do Mundo. Quando a Fifa definiu que o torneio de 2026 aconteceria principalmente nos EUA, ele combinou com a namorada e um casal de cunhados a viagem passando por quatro cidades. A expectativa era assistir a ao menos uma partida em cada uma. O grupo, então, comprou passagens e reservou hotéis com antecedência para economizar, mas, na hora de garantir os ingressos, veio a surpresa: os valores praticados pela Fifa estavam muito além do orçamento. Em meio à corrida por entradas, cada um deles desembolsou US$ 700 (quase R$ 3,6 mil) para assistir à partida da seleção brasileira contra o Haiti, na Filadélfia, e US$ 465 (R$ 2,4 mil) para acompanhar Noruega x Senegal, em Nova Jersey. Desde então, o grupo continua buscando ingressos a valores menos proibitivos na plataforma oficial de revendas da Fifa. Mas com o orçamento já extrapolado e valores cada vez mais estratosféricos, a viagem para acompanhar o Mundial — com passagens também por Toronto, no Canadá, além de Miami — terá mais cara de turismo tradicional. — Não faltam ingressos. Ainda tem muita coisa disponível na internet. O problema são os preços abusivos praticados pela Fifa e permitidos na plataforma de revenda — critica Caio, que embarca para os EUA na próxima semana. Conheça o 'Palpiteiros': Mais que um bolão, o campeonato de palpites da Copa do Mundo O desafio enfrentado pelo grupo mostra que, na Copa tida como a maior de todos os tempos, os valores que torcedores precisam desembolsar para acompanhar o torneio in loco também são superlativos, e afastam o público. Segundo a Fifa, cerca de 6 milhões de ingressos já foram vendidos. Mas, num reflexo dos preços salgados, a entidade enfrenta sinais de demanda abaixo do esperado em alguns jogos. Dados citados pela imprensa americana mostram que mais de 10 mil entradas ainda estavam disponíveis para o jogo de abertura entre EUA e Paraguai no SoFi Stadium, em Los Angeles. O número representa cerca de 10% da capacidade total. Para esta edição, a Fifa adotou um sistema de preços dinâmicos. O mecanismo levou o ingresso mínimo de jogos muito procurados para a casa dos milhares de dólares, com os melhores lugares ultrapassando US$ 10 mil (R$ 51,4 mil). Esse é o preço cobrado, por exemplo, para a final do torneio, no MetLife Stadium. Para efeitos de comparação, os ingressos mais caros para a partida final da Copa de 1994, também nos EUA, quando o Brasil conquistou o tetracampeonato, eram vendidos por US$ 475. Nem mesmo quando se recompõe a inflação acumulada nestes 32 anos a alta se justifica. Corrigido, o valor alcançaria atuais US$ 1.072, patamar dez vezes menor que os US$ 10 mil cobrados nesta edição. Bola de Cristal aponta caminho do Brasil rumo ao hexa; confira as chances em cada fase da Copa do Mundo A carestia dos bilhetes virou debate político. Procuradores-gerais dos estados de Nova York e Nova Jersey anunciaram uma investigação sobre a venda de ingressos para o torneio, e a deputada democrata Sydney Kamlager-Dove acusou a Fifa de “extorsão”, cobrando explicações do presidente Gianni Infantino. — Cobramos valores abaixo para ligas esportivas americanas. Não temos responsabilidade sobre a revenda — justificou ele em entrevista coletiva. Trem de ida e volta entre a Penn Station, em Nova York, e o MetLife Stadium, em Nova Jersey Bloomberg Outro custo que pesa no bolso dos torcedores é a logística para acompanhar os jogos, distribuídos em 16 cidades nos três países-sede. Com estádios um tanto quanto fora dos centros urbanos, o transporte público é essencial, mas os preços são altos. As passagens de trem entre a ilha de Manhattan e o MetLife Stadium, por exemplo, normalmente custam cerca de US$ 12,90 (R$ 72), mas alcançaram US$ 150 (R$ 840) durante o torneio. Após críticas, os valores foram reduzidos para US$ 98 (R$ 549). Por isso, a seleção da Alemanha decidiu custear a viagem de ônibus de 600 torcedores alemães para a partida contra o Equador no dia 25 de julho, no MetLife Stadium, pela última rodada do Grupo E. Na indústria do turismo, o efeito esperado com o maior evento esportivo do mundo, ainda não aconteceu. Reservas de voos despencaram, assim como as reservas de hotéis, que chegaram a reduzir os preços para tentar atrair os visitantes. Em Nova York, a previsão de receita dos hotéis com o Mundial foi reduzida em 60% com o movimento fraco. A Fifa tinha projetado que 1,2 milhão de torcedores passariam pela cidade, mas a associação do setor acredita que serão apenas meio milhão. "É uma decepção total. Não há outra palavra que se possa usar", disse à agência Reuters Vijay Dandapani, CEO da Associação de Hotéis da Cidade de Nova York. *Com agências internacionais.
Ingressos a US$ 10 mil e passagens de trem a US$ 98: Copa de preços exorbitantes afasta torcedores dos estádios
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