Incrível a informação de que a mineradora gerava um gasto de 310 mil reais por mês e faturava 50 a 70 mil reais por mês
Retrato perfeito da indústria que só compensa roubando
João Marcos Nascimento
Mineradora de criptomoedas com gato de luz em Caxias consumia energia equivalente à de 1.200 casas .
A central de mineração de criptomoedas encontrada pela PM e pela Polícia Civil, nesta segunda-feira, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, era movida a energia furtada da rede elétrica e consumia o equivalente a 1.200 residências. Segundo a Light, os 123 computadores de alto desempenho encontrados no local funcionavam 24 horas por dia e utilizavam mensalmente 288 mil kWh de energia, gerando um prejuízo financeiro estimado em R$ 310 mil por mês.
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O galpão, no bairro Jardim Gramacho, foi estourado por policiais da 59ª DP (Duque de Caxias) e do 15º BPM (Duque de Caxias). A ação desta segunda contou com o apoio de agentes da 60ª DP (Campos Elíseos) e 66ª DP (Piabetá). A estimativa dos policiais é que os computadores gerassem um faturamento bruto mensal entre R$ 50 mil e R$ 70 mil. Os equipamentos têm um valor de mercado entre R$ 400 mil e R$ 650 mil. A central funcionava de maneira remota, monitorada por meio de câmeras.
No último dia 10, a Polícia Civil encontrou outra mineradora irregular de criptomoedas, desta vez na Vila do João, no Complexo da Maré. O local estava numa área dominada pelo Terceiro Comando Puro (TCP). Os computadores também estavam ligados a gatos de energia elétrica.
A mineração de criptomoedas — como o bitcoin e diversas outras — é feita utilizando computadores potentes, com altíssimo consumo de energia. Criptomoedas são um tipo de dinheiro que existe apenas digitalmente e não é atrelado a nenhum banco central. As transações de compra e venda com essas moedas são validadas por computadores que fazem parte de uma rede espalhada pelo mundo, usando a tecnologia blockchain, que utiliza criptografia (daí o nome criptomoedas), ou seja, um sistema complexo de codificação de dados, o que garante que as transações não serão corrompidas.
"Mineradora" de criptomoedas do TCP encontrada pela Polícia Civil na Maré
Polícia Civil
A cada dez minutos, em média, um bloco de transações com bitcoins precisa ser validado através da blockchain. Máquinas de todo o mundo, conhecidas como mineradoras, competem para resolver problemas matemáticos de alta complexidade, na chamada proof of work (prova de trabalho, em inglês). A primeira máquina a resolver o problema ganha o direito de registrar aquele bloco. Como recompensa, ganha um valor em bitcoins. Como a mineração cripto consome muita eletricidade, só compensa ser feita em lugares com energia barata — ou com furto na rede elétrica.
36 em cada cem furtam luz
Durante as diligências da polícia na mesma região, os agentes flagraram outra situação irregular: uma empresa de fabricação de plásticos também usava uma ligação clandestina de energia. As investigações seguem em andamento para identificar todos os responsáveis pela estrutura e apurar a eventual participação de facções do tráfico ou milícias na fraude.
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De acordo com a Light, no ano passado e nos quatro primeiros meses deste ano, foram encontradas quase 3.500 ligações clandestinas, o que permitiu recuperar 250 GWh de energia, volume suficiente para abastecer cerca de 82 mil residências por um ano. Os gatos de luz dão um prejuízo anual à concessionária de R$ 1,3 bilhão. De cada cem clientes regulares da Light, 36 furtam energia.