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Remodelado por reforma de R$ 1 bilhão, Azteca se torna primeiro estádio a receber três aberturas de Copa do Mundo .
7h
Lar das principais atuações de Pelé e Diego Maradona quando levaram Brasil e Argentina aos títulos das Copas do Mundo de 1970 e 1986, respectivamente, o Azteca viu a História do torneio passar pelo seu gramado e arquibancadas. Hoje, o grande templo do futebol do México inaugurará um capítulo inédito ao sediar o jogo de abertura da edição de 2026 — entre a seleção do país e a África do Sul, às 16h (de Brasília). De cara nova após uma ampla reforma, o estádio se tornará o primeiro a receber a abertura de três Mundiais. Atualmente denominado Banorte, banco que patrocinou a reforma de quase dois anos, o local está sendo chamado pela Fifa apenas como Estádio da Cidade do México, algo que não muda seu lugar histórico. Entre capítulos como o tri mundial do Brasil, após goleada por 4 a 1 sobre a Itália, e o gol da "Mão de Deus" de Maradona, contra a Inglaterra, o Azteca recebeu 19 partidas de Copa — dez em 1970 e nove em 1986 —, sendo líder no quesito. Nesta edição, serão cinco ao todo. Estadio Azteca na Copa do Mundo de 1986 Arquivo/Fifa O ano de 2026 é de marcas redondas para o chamado "Coloso de Santa Ursula", que completou 60 anos de sua inauguração, ocorrida em 1966, e que voltará a receber o principal torneio de futebol após exatas quatro décadas. Apesar de não passar mais dos 130 mil lugares como em outros tempos, a capacidade do estádio superior a 87 mil pessoas ainda o coloca entre os maiores do planeta. A reforma pela qual o Azteca passou durou 671 dias, entre abril de 2024 e março deste ano, quando o estádio reabriu para o amistoso entre México e Portugal. A ideia da organização local foi adequar o local ao padrão Fifa, com melhoria estruturais tais quais instalação de telões e novo sistema de som, renovação de gramado, e implementação de recursos de acessibilidade e sustentabilidade. Além disso, a capacidade foi ampliada em quatro mil lugares. Estima-se na imprensa local que a remodelação custou 200 milhões de dólares, ou cerca de R$ 1,04 bilhão na cotação atual. O EXTRA tentou contato com o Grupo Ollamani, administrador do estádio, para conseguir dados oficiais, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Estadio Banorte, nova versão do Azteca, na Cidade do México Divulgação/Estadio Banorte As obras não deixaram de ser cercadas por polêmicas e atrasos no cronograma. Por exemplo, um dos diretores anteriores do estádio, Félix Aguirre, chegou a garantir que tudo estaria pronto no final de 2025. Porém, o interior demorou a ser reaberto, e ainda há pendências do lado externo, principalmente em relação a obras de transporte público. A partida entre México e Portugal também foi marcada por uma tragédia: um torcedor de 27 anos morreu ao cair de uma área de camarotes. Porém, o incidente não teve ver com a reforma. Segundo as autoridades locais, o homem estava embriagado e tentou mudar de nível pulando pela parte externa. Experiência no estádio A brasileira Nathalia Carvalho vive no México e assistiu a dois jogos no Azteca já neste ano: o amistoso de reabertura e uma partida entre América e Toluca, pelo Campeonato Mexicano, em abril. Para a turismóloga, que não visitou o estádio na versão anterior, a atmosfera impressiona, e o comportamento dos torcedores mexicanos apresenta um choque cultural. — Que estádio fenomenal, tem um outro ar. É uma "experiência de estádio", sabe? Tive duas experiências diferentes, uma em um setor mais premium, para ver o jogo de abertura. Um mês depois, fui para o jogo no meio dos torcedores. Me lembrou um pouco de São Paulo, com a torcida organizada bem fechada, mas também tinha torcida mista. Foi uma coisa muito doida porque eu queria xingar o time adversário, e tinha adversários do meu lado — relata Nathalia. — Eles são muito certinhos, assistem aos jogos sentados. Uma pessoa ou outra fica em pé. Uma coisa que eu fiquei um pouco incomodada são os bancos. São muito pequenos. E as pessoas sentam no lugar certinho, cobram o lugar exato que compraram. Nathalia Carvalho visita o Estadio Banorte, nova versão do Azteca Arquivo pessoal Dono dos naming rights do estádio, o banco Banorte tenta marcar presença de várias formas no dia a dia, desde o logotipo na fachada até toalhinhas distribuídas aos torcedores. Mas, segundo Nathalia, o ambiente da partida ainda consegue se dissociar. — Acho que tem que ter muita cautela no processo de arenização que estão fazendo no estádio, para não perder a essência de torcedor, e não acabar sendo uma coisa que vai dividir todo mundo. Eu percebo isso em muitos estádios. Eu acredito que o Banorte tenta trazer uma identidade focada no próprio banco, mas tenta não se integrara o futebol, e sim colocar a marca dele lá, como uma propaganda à parte. O campo e a arquibancada ainda têm essa estrutura muito legal. Mas tem muito LED, muitas coisas que remetem a uma arena — aponta a brasileira. Diferentemente de outras reformas de estádios, como aconteceu com o Maracanã para a Copa de 2014, não houve uma intervenção significativa que alterasse a estrutura original do estádio. Tensão social Isso não impede o México de estar vivendo uma tensão política em meio à abertura do torneio. Nos últimos dias, um sindicato de professores aproveitou a visibilidade do Mundial e foi às ruas protestar por aumento de salários. As manifestações envolveram bloqueios de ruas importantes e confrontos contra as forças de segurança. Na Calzada de Tlalpan, avenida que leva ao Azteca, diversas pichações surgiram com a frase "boicote à copa". Mesmo assim, a presidente Claudia Sheinbaum afirma que tudo está "sob controle" para a estreia. "Vamos garantir que a celebração da abertura da Copa do Mundo aconteça de forma tranquila e em paz", afirmou ela. Além disso, a governante decretou a suspensão das aulas na capital e autorizou que servidores públicos trabalhem remotamente para facilitar o acesso ao estádio. Porém, Sheinbaum colocou em dúvida sua presença na fan fest da Praça da Constituição, também chamada de Zócalo, que foi palco de protestos nesta semana. Milhares de professores mantêm um acampamento no centro da capital e prometem novas mobilizações. Além dos professores, familiares de desaparecidos vítimas do crime organizado e da violência institucional realizaram manifestações. Em um país com mais de 130 mil pessoas desaparecidas nas últimas duas décadas, segundo registros oficiais, levar essa reivindicação para a vitrine internacional da Copa é visto pelos manifestantes como uma oportunidade de dar visibilidade ao tema. Para as horas que antecedem a cerimônia de abertura, está convocada uma grande marcha na região de Tlalpan, próxima ao Azteca, além de novos atos no Zócalo.
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Remodelado por reforma de R$ 1 bilhão, Azteca se torna primeiro estádio a receber três aberturas de Copa do Mundo
Jornal Extra